SAF pode ampliar demanda global por etanol até 2050

Combustível sustentável de aviação surge como nova oportunidade para o setor bioenergético brasileiro

A demanda global por SAF, sigla em inglês para Combustível Sustentável de Aviação, pode alcançar 520 bilhões de litros até 2050, segundo projeção apresentada pela UNICA durante o Seminário da Indústria 2026.

A avaliação foi apresentada pelo especialista em Economia e Dados da União da Indústria de Cana-de-Açúcar e Bioenergia, Lucas Rodrigues, durante evento promovido pelo CEISE Br, em Sertãozinho.

Segundo o especialista, o avanço do combustível sustentável de aviação pode abrir uma nova frente de crescimento para o etanol brasileiro.

SAF amplia demanda por etanol no Brasil

De acordo com projeção da Organização da Aviação Civil Internacional, o setor aéreo precisará ampliar significativamente o uso de SAF para atingir emissões líquidas zero até 2050.

Na rota produtiva baseada em etanol, cada litro de SAF demanda aproximadamente 1,4 litro de etanol, segundo informações apresentadas pela UNICA.

Além disso, a estimativa para o Brasil aponta consumo de cerca de 7 bilhões de litros de etanol no curto prazo para atender metas nacionais do setor aéreo.

O avanço ocorre em meio à implementação do CORSIA, mecanismo internacional voltado à compensação e redução de emissões da aviação civil.

Etanol disputa espaço com outras rotas renováveis

A Lei do Combustível do Futuro instituiu o Programa Nacional de Combustível Sustentável de Aviação, conhecido como ProBioQAV. A política estabelece metas graduais de redução das emissões de carbono no setor aéreo brasileiro a partir de 2027.

Segundo a UNICA, o SAF pode ser produzido a partir de diferentes matérias-primas, como etanol, óleos, resíduos agrícolas e graxas. Entre as tecnologias disponíveis, a rota Alcohol to Jet (ATJ) utiliza etanol na produção do combustível sustentável de aviação.

Para o setor sucroenergético, o cenário amplia o valor estratégico do etanol de cana e milho.

Ao mesmo tempo, Lucas Rodrigues destacou que o mercado exigirá competitividade frente a outras soluções renováveis. Segundo ele, o desafio será entregar descarbonização com menor custo e maior eficiência.

Transporte marítimo também amplia oportunidades para biocombustíveis

Além da aviação, o transporte marítimo também aparece como nova oportunidade para o mercado de biocombustíveis.

Durante o seminário, Lucas Rodrigues afirmou que o setor naval enfrenta crescente pressão internacional para reduzir emissões de carbono.

Nesse contexto, a Organização Marítima Internacional aprovou regras que combinam limites obrigatórios de emissões e mecanismos de precificação de gases de efeito estufa.

Na prática, portanto, as medidas tendem a ampliar a busca por combustíveis de baixa emissão no transporte marítimo global.

Entre as alternativas avaliadas pelo mercado estão, por exemplo, biometano, metanol renovável e biocombustíveis produzidos a partir do etanol.

Setor bioenergético busca espaço na transição energética

Segundo a avaliação apresentada pela UNICA, a transição energética amplia a competição entre diferentes tecnologias renováveis. Nesse cenário, o etanol precisará comprovar eficiência ambiental, capacidade produtiva e competitividade econômica.

Além disso, o avanço do SAF pode reposicionar o setor sucroenergético brasileiro em mercados globais de baixo carbono. Para usinas, indústrias e fornecedores da cadeia bioenergética, o movimento também aumenta a demanda por escala produtiva, rastreabilidade e eficiência logística.

Related Posts

Agro cresce, leite pede apoio

Agro cresce, leite pede apoio

Leite, pequenos produtores e política agrícola: os alertas de Ana Paula Junqueira Leão para o futuro do agro. O agronegócio...

Últimas Notícias