Perecíveis puxam crescimento no varejo alimentar

Categoria foi a única entre as principais cestas a crescer em faturamento e unidades vendidas no primeiro semestre de 2026

Os produtos perecíveis ganharam espaço na cesta de compras dos brasileiros no primeiro semestre de 2026 e se tornaram o principal vetor de crescimento no varejo alimentar. Levantamento da Scanntech mostra que a categoria foi a única, entre as principais cestas do setor, a registrar avanço simultâneo em faturamento e unidades vendidas entre janeiro e junho.

No período, perecíveis cresceram 4,8% em faturamento, 1,1% em unidades vendidas e 3,6% em preço por unidade. O desempenho se destaca em um cenário de consumo mais restrito no canal alimentar, em que a receita do setor tem sido sustentada principalmente pela recomposição de preços.

No segundo trimestre, o faturamento do varejo alimentar avançou 2,1% em relação ao mesmo período de 2025. No entanto, as unidades vendidas recuaram 1,5%, enquanto o preço por unidade subiu 3,7%. O resultado reforça um ambiente em que o crescimento nominal não acompanha, necessariamente, expansão de volume.

Perecíveis representam quase metade da cesta

Os perecíveis representaram 43,7% da cesta de compras dos brasileiros no primeiro semestre de 2026. Dentro desse grupo, Frutas, Legumes, Verduras e Ovos, o FLVO, mantiveram participação estável, com 42,7% do volume de perecíveis vendidos, mesmo percentual registrado no primeiro semestre de 2025.

Já congelados e refrigerados perderam participação, passando de 24,5% para 23,7% no comparativo anual. A queda de 0,8 ponto percentual indica uma mudança na composição da cesta, com maior peso relativo de produtos frescos dentro da dinâmica de compra.

Para o varejo, o avanço dos perecíveis tem impacto direto na frequência de ida às lojas. Categorias como FLVO, açougue e padaria são associadas a compras recorrentes e podem ampliar o fluxo de consumidores ao longo da semana.

“Os resultados mostram que os perecíveis seguem ganhando relevância nos carrinhos de compras dos brasileiros. Esse movimento acompanha consumidores cada vez mais atentos à qualidade da alimentação e à presença de produtos frescos no dia a dia. Quando analisamos FLVO, Açougue e Padaria, não estamos falando apenas de vendas, mas de categorias que desempenham um papel estratégico na geração de fluxo para a loja”, afirma Felipe Passarelli, head de Inteligência de Mercado da Scanntech.

Segundo ele, cada visita ao ponto de venda também cria oportunidade para ampliar as vendas de outras categorias que compõem o carrinho.

“São cestas que motivam visitas recorrentes dos consumidores ao longo da semana, e cada ida ao ponto de venda representa uma oportunidade de ampliar as vendas das demais categorias que compõem o carrinho de compras. Acompanhar essa evolução é essencial para entender as mudanças no comportamento do consumidor e apoiar decisões mais assertivas”, completa.

FLVO volta a crescer no trimestre

A categoria de FLVO registrou desempenho positivo no segundo trimestre de 2026. Na comparação com o mesmo período do ano anterior, o faturamento cresceu 5,3%, puxado principalmente pelo aumento de 4,7% no preço por volume. As vendas em volume tiveram leve alta, de 0,6%.

No acumulado dos seis primeiros meses do ano, FLVO avançou 1,9% em faturamento frente ao mesmo período de 2025. O desempenho foi liderado por Legumes e Verduras, que cresceram 9,3% e 7,2% em faturamento, respectivamente. Frutas ficaram praticamente estáveis, com alta de 0,4%, enquanto Ovos registraram queda de 9,5%.

Os números mostram que o avanço da categoria não ocorre de forma homogênea. Parte do crescimento vem de aumento de preços, enquanto alguns produtos registram expansão mais consistente em volume vendido.

Preço pesa no faturamento

No detalhamento por produtos, a banana se destacou entre as frutas pelo crescimento do faturamento, impulsionado pela alta de preços. Em volume, os maiores avanços ficaram com laranja, que cresceu 25,4%, uva, com alta de 17,6%, e maçã, com avanço de 12,1%.

Entre os legumes, batata e cenoura registraram forte elevação de preços. Já mandioca, cebola e tomate se destacaram pelo aumento do volume vendido, com altas de 8%, 4,5% e 1,8%, respectivamente.

Nas verduras, todas as categorias analisadas apresentaram aumento de preços. O repolho teve alta de 39,2%, enquanto a salada pronta cresceu tanto em faturamento quanto em volume, com avanço de 4,4%.

Os dados de junho reforçam a pressão dos preços sobre o desempenho da categoria. Na comparação com maio, FLVO cresceu 8,9% em faturamento, resultado associado ao aumento de 9,3% no preço por volume. O volume comercializado, por outro lado, recuou 0,4%.

Batata e cenoura voltaram a liderar a alta de preços no mês, com avanços de 60,2% e 152%, respectivamente, contribuindo para o crescimento do faturamento da categoria no curto prazo.

Categoria exige gestão mais precisa

O avanço dos perecíveis no varejo alimentar ocorre em um contexto em que o consumidor segue sensível a preço, mas mantém produtos frescos em posição relevante na cesta de compras. Para supermercados, atacarejos e indústrias de bens de consumo, esse comportamento amplia a importância da gestão de sortimento, abastecimento, precificação e perdas.

Como perecíveis têm maior frequência de compra e menor vida útil, a categoria exige leitura mais rápida da demanda e maior eficiência operacional. Oscilações de preço em itens como batata, cenoura, frutas e verduras podem alterar o faturamento em curto prazo, mas também pressionam a percepção de custo do consumidor.

Nesse cenário, FLVO, açougue, padaria, congelados e refrigerados deixam de ser apenas departamentos de abastecimento e passam a ocupar posição estratégica na disputa por fluxo, fidelização e rentabilidade no varejo alimentar.

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