Com a Seleção em campo, vendas cresceram 21,3% em volume, puxadas por snacks, bebidas, congelados e itens de churrasco
A participação do Brasil na Copa do Mundo de 2026 alterou o ritmo do varejo alimentar no país. Nos dias em que a Seleção entrou em campo, as vendas cresceram 21,3% em volume, na comparação com os mesmos dias da semana de períodos regulares de 2026 e 2025.
O levantamento é da Scanntech, empresa de inteligência de dados para o varejo e a indústria de bens de consumo de alto giro. Nos demais dias do torneio, sem jogo do Brasil, o avanço foi de 5,8%.
A diferença evidencia a força da Seleção sobre categorias ligadas à transmissão dos jogos, reuniões em casa e compras de última hora. O maior impacto apareceu em snacks, bebidas, congelados e itens de churrasco.
Consumo ganhou força nas fases decisivas
A alta no varejo alimentar aumentou conforme o Brasil avançou na competição.
Na fase de grupos, o incremento nos dias de jogo havia sido de 12,1% nas categorias acompanhadas pela Scanntech. No consolidado da campanha brasileira, o avanço chegou a 21,3%.
Contra o Japão, o consumo foi 20,6% maior do que em períodos regulares. No jogo de 5 de julho, o avanço chegou a 35,1%, o maior pico registrado durante a participação da Seleção.
A cada nova fase, o carrinho incorporou mais categorias associadas a consumo imediato, abastecimento da casa e socialização.
Compra ficou concentrada no dia do jogo
A Copa de 2026 reforçou um comportamento relevante para supermercados, atacarejos, lojas de vizinhança e indústria de alimentos: o consumidor comprou mais no próprio dia da partida.
Segundo a Scanntech, enquanto o dia do jogo do Brasil cresceu 21,3%, a véspera avançou 8,0%.
A compra poucas horas antes da transmissão aumenta a importância de disponibilidade, reposição, exposição e sortimento nas categorias de maior giro. Para o varejo alimentar, o efeito Copa ficou concentrado em janelas curtas de demanda, com maior pressão sobre a execução no ponto de venda.
Snacks lideraram altas da Seleção
O grupo de snacks teve o maior salto nos dias de jogo do Brasil.
Petisco snack cresceu 241,0% com a Seleção em campo, ante 7,9% nos demais dias de Copa. O amendoim avançou 85,0%, contra 20,5% nos dias sem jogo do Brasil.
Milho para pipoca subiu 68,5% nos jogos da Seleção, enquanto nos demais dias do torneio cresceu 24,6%. A pipoca avançou 64,4%, ante 14,2%. Já o mix de nuts teve alta de 26,9% com o Brasil em campo, contra 1,7% nos outros dias.
Nos dias de jogo, o carrinho foi direcionado para categorias típicas de transmissão: petiscos, pipoca, amendoim e nuts. O consumo acompanhou a lógica de encontros em casa e compras rápidas para assistir à Seleção.
Congelados avançaram com preparo rápido
A praticidade também ganhou espaço no varejo alimentar durante os jogos.
Salgados congelados cresceram 58,6% nos dias de jogo do Brasil, frente a 13,0% nos demais dias do torneio. A batata congelada avançou 56,1%, contra 22,8% nos dias sem partida da Seleção.
Salgados e batatas congeladas ganharam força como soluções de preparo rápido para reuniões em casa. O desempenho dessas categorias acompanha uma dinâmica de consumo com baixa antecedência, em que conveniência e velocidade de preparo pesam na decisão de compra.
Churrasco teve alta mais forte com o Brasil
O churrasco em casa também foi impulsionado pelos jogos da Seleção.
O pão de alho cresceu 125,5% quando o Brasil entrou em campo. Nos demais dias de Copa, a categoria ficou praticamente estável, com alta de 1,2%.
A linguiça avançou 21,6% nos jogos do Brasil, ante 6,7% nos dias sem a Seleção. O bovino in natura cresceu 13,1%, acima dos 9,5% registrados nos demais dias do torneio.
O consumo de churrasco teve alta mais intensa nas partidas brasileiras, sobretudo pelo avanço do pão de alho, da linguiça e das carnes bovinas in natura. A ocasião de consumo ficou mais associada à Seleção do que ao calendário geral da Copa.
Bebidas concentraram alta nos jogos
As bebidas também tiveram variação mais forte nos dias de jogo do Brasil.
A cerveja cresceu 38,8% com a Seleção em campo. Nos demais dias de Copa, a categoria caiu 3,3%.
O gelo avançou 57,3% nos jogos do Brasil e recuou 17,8% nos outros dias. Misturas alcoólicas subiram 66,2%, contra 6,5% sem jogo da Seleção. Licor cresceu 44,5%, ante 17,3%. Refrigerantes avançaram 17,8%, acima dos 3,1% registrados nos demais dias.
Nas bebidas, a variação ficou concentrada nas partidas brasileiras. Cerveja, gelo, misturas alcoólicas, licor e refrigerantes cresceram acima dos demais dias do torneio, reforçando o peso dos jogos da Seleção nas compras de ocasião.
Efeito Copa exige execução rápida
O balanço da Scanntech mostra que o impacto da Copa no varejo alimentar brasileiro foi concentrado, imediato e diretamente associado aos dias de jogo da Seleção.
A alta de 21,3% nos dias de partida do Brasil, frente aos 8,0% da véspera, indica que parte relevante da demanda se formou no próprio dia do consumo. Para supermercados, atacarejos, indústrias e distribuidores, isso reforça a importância de planejamento por ocasião, com leitura rápida de demanda e execução precisa nas categorias de maior giro.
Snacks, bebidas, congelados e itens de churrasco foram os principais beneficiados. Em comum, são categorias ligadas à socialização em casa, ao consumo durante a transmissão e à conveniência.
Com a participação brasileira encerrada, o saldo para o varejo alimentar está na capacidade de capturar picos curtos de demanda. Em grandes eventos esportivos, a resposta do consumidor aparece no mesmo dia, direto no carrinho de compras.


















