Relação bilateral passa por café, carnes, grãos, abertura de mercados e cooperação em agricultura digital
Brasil e Japão se enfrentam nesta segunda-feira (29), pela Copa do Mundo, em Houston, nos Estados Unidos. Fora de campo, os dois países mantêm uma relação histórica e estratégica para o agronegócio.
O Japão é um dos mercados mais relevantes da Ásia para produtos agropecuários brasileiros. Sendo destaques café, carnes, grãos e alimentos processados, além de negociações sanitárias e cooperação tecnológica.
Segundo o Ministério da Agricultura e Pecuária (Mapa), o Japão foi o 7º maior destino dos produtos agrícolas brasileiros em 2024, com exportações que totalizaram US$ 3,3 bilhões.
Agro entre Brasil e Japão tem peso no comércio
A relação bilateral vai além do agro, mas o setor ocupa papel importante nessa conexão. Em 2025, Brasil e Japão completaram 130 anos de relações diplomáticas e comerciais, em um contexto de aproximação econômica entre os dois países.
Os dados mais recentes do Mapa indicam que, de janeiro a julho de 2025, as vendas brasileiras de produtos agrícolas ao Japão somaram US$ 1,8 bilhão.
O país asiático é relevante por combinar renda elevada, exigência sanitária e demanda por alimentos importados. Essa combinação faz do Japão um mercado estratégico para produtos brasileiros de maior escala e também para itens de maior valor agregado.
Café brasileiro tem destaque no Japão
O café é um dos principais símbolos dessa relação comercial.
Dados do Observatório do Café, vinculado à Embrapa Café, apontam que o Japão foi o quinto maior comprador dos cafés do Brasil no ano-cafeeiro de 2024. As importações japonesas somaram 2,3 milhões de sacas de 60 kg, o equivalente a 5% das vendas nacionais no período.
A relevância do mercado japonês também se explica pelo perfil de consumo. O país valoriza regularidade, qualidade e diferenciação, fatores importantes para cafés especiais e produtos com origem rastreável.
Com isso, o Japão aparece não apenas como comprador em volume, mas também como mercado de posicionamento para a cafeicultura brasileira.
Soja, frango e carne suína
Além do café, o complexo soja tem peso relevante na relação entre Brasil e Japão.
Mato Grosso exportou mais de 535 mil toneladas de soja e farelo de soja para o Japão em 2025, movimentando US$ 193,9 milhões, segundo dados da Secex compilados pelo Imea e divulgados pela Famato.
Do total, foram 311,94 mil toneladas de farelo de soja, com receita de US$ 105,35 milhões. Já a soja em grão somou 223,4 mil toneladas, gerando US$ 88,61 milhões.
Os números reforçam o papel do Japão como destino para matérias-primas usadas na produção de alimentos, rações e proteínas.
As carnes também integram essa agenda. O Japão está entre os mercados relevantes para a carne de frango brasileira e também importa carne suína do Brasil, produtos que dependem de regularidade, controle sanitário e confiança comercial.
A principal expectativa do setor, porém, está na possível abertura do mercado japonês para a carne bovina brasileira. Segundo a Famato, a negociação ganhou novo contexto após o reconhecimento do Brasil como país livre de febre aftosa sem vacinação.
O Japão ainda deve realizar auditoria no sistema sanitário brasileiro, etapa necessária antes de avaliar a autorização para importar carne bovina do país.
Aberturas de mercado ampliam pauta
As negociações fitossanitárias também têm avançado em outras frentes.
Em setembro de 2025, o governo brasileiro e o governo do Japão concluíram negociação sanitária para autorizar a exportação de produtos à base de gordura de aves, suínos e bovinos ao mercado japonês.
Em dezembro, novas tratativas permitiram ao Brasil exportar frutas congeladas e frutas desidratadas ao Japão. Segundo o Mapa, essa abertura amplia oportunidades para itens processados de maior valor agregado.
Embora esses produtos tenham menor peso que café, carnes e grãos, a abertura é relevante porque diversifica a pauta exportadora e amplia a presença brasileira em nichos de consumo.
Cooperação chega à agricultura digital
Em 2026, os dois países encerraram o Projeto de Desenvolvimento Colaborativo da Agricultura de Precisão e Digital, o CoPADi. A iniciativa envolveu Mapa, Embrapa, Agência Brasileira de Cooperação, Jica, universidades, centros de pesquisa e empresas.
Segundo o Mapa, o projeto teve entre os resultados a plataforma API-CoPADi, desenvolvida para integrar dados agrícolas e ampliar a interoperabilidade entre sistemas.
A iniciativa também fortaleceu o uso de APIs no sistema AgroAPI, da Embrapa, e realizou pilotos e testes de campo. Em outra frente, a Embrapa informou que os experimentos envolveram interconexão de dados de máquinas agrícolas junto a pequenos e médios produtores de grãos no Paraná.
Essas entregas mostram uma cooperação que vai além do comércio. A parceria também mira agricultura orientada por dados, integração de sistemas, uso de big data e futuras aplicações de inteligência artificial no campo.
Relação vai além do jogo
Para o Brasil, o Japão representa um mercado exigente, relevante e estratégico na Ásia. Para o Japão, o agro brasileiro ajuda a compor uma rede de abastecimento em alimentos, proteínas, grãos e café.
A pauta bilateral também mostra que o comércio agrícola depende cada vez mais de fatores além do volume. Sanidade, rastreabilidade, tecnologia, sustentabilidade e confiança institucional pesam nas negociações.
No dia do duelo em campo, o agro revela uma conexão de longo prazo entre os dois países, sustentada por comércio, inovação e segurança alimentar.


















