Agro aproxima Brasil e Escócia além da Copa

No dia do duelo pela Copa do Mundo, relação bilateral destaca café, açúcar, carnes, celulose e uísque escocês

Brasil e Escócia se enfrentam nesta quarta-feira (24), em Miami, pela última rodada da fase de grupos da Copa do Mundo. Fora dos gramados, também chama atenção uma relação comercial marcada por agro, bebidas e produtos de forte identidade internacional.

Os dois mercados têm perfis produtivos distintos. O Brasil é uma potência agroexportadora, com escala em grãos, carnes, café, açúcar e celulose. A Escócia, por sua vez, tem produção agropecuária mais voltada ao mercado doméstico, com destaque para cevada, trigo, bovinos e ovinos.

A diferença de escala é expressiva. Enquanto o Brasil abastece um mercado interno de mais de 200 milhões de pessoas e exporta para diversos destinos, a Escócia tem cerca de 5,5 milhões de habitantes. Ainda assim, mantém cadeias exportadoras relevantes, especialmente no setor de bebidas.

Brasil e Escócia no agro movimentam até US$ 300 milhões

Segundo estimativas da HM Revenue & Customs, do governo britânico, e da Export Statistics Scotland, agência do governo escocês, Brasil e Escócia movimentam entre US$ 250 milhões e US$ 300 milhões por ano em comércio bilateral.

A pauta comercial reúne alimentos, bebidas, insumos industriais e produtos ligados a diferentes cadeias produtivas.

Em 2023, as vendas da Escócia ao mercado brasileiro somaram 925 milhões de libras esterlinas. No mesmo ano, o Brasil ocupou a 11ª posição entre os principais destinos das exportações escocesas, desconsiderando a União Europeia como mercado único.

Café, açúcar e carnes aparecem na pauta brasileira

As exportações brasileiras para a Escócia concentram-se em café, minério de ferro, açúcar, carnes e celulose, de acordo com informações dos governos britânico e escocês.

No agro, a lista reforça a capacidade do Brasil de abastecer mercados exigentes com diferentes cadeias. O café aparece como um dos símbolos mais fortes dessa relação.

Para o Brasil, o mercado britânico representa uma oportunidade para a pecuária de diversificação em um ambiente global cada vez mais atento a qualidade, regularidade de fornecimento e rastreabilidade.

Uísque escocês ganha força no Brasil

No caminho inverso, as vendas da Escócia ao Brasil têm como destaque o Scotch Whisky. Também são importados equipamentos para petróleo e gás, tecnologias offshore e outros bens e serviços.

Em 2023, o segmento de alimentos e bebidas respondeu por 100 milhões de libras esterlinas em vendas escocesas ao Brasil, o equivalente a 10,9% do total exportado pela Escócia ao país.

Em 2025, o Brasil importou 54 milhões de garrafas de 70 centilitros de uísque “Scotch Whisky”, alta de 3,3% em relação ao ano anterior.

Segundo a Scotch Whisky Association, Índia e Brasil estiveram entre os mercados que ajudaram a sustentar o avanço do whisky blended em volume, mesmo em um cenário de maior pressão sobre categorias premium.

Relação vai além do jogo

Para o Brasil, a conexão reforça a importância de diversificar destinos e manter presença em mercados exigentes. Produtos como café, açúcar, carnes e celulose mostram a força de diferentes elos do agro brasileiro. Para a Escócia, o Brasil representa um mercado relevante para produtos de maior valor agregado.

Related Posts

Next Post

Últimas Notícias