Sistema “Cobre e Solta” será usado em novos projetos a partir de 2030 e acompanha mudanças nas exigências produtivas da cadeia suína
A Frimesa informou que adotará o sistema “Cobre e Solta” como padrão para novos projetos destinados a matrizes suínas a partir de 2030.
A medida foi divulgada pela cooperativa e está relacionada à adequação das estruturas produtivas às diretrizes de bem-estar animal previstas na Instrução Normativa nº 113/2020, do Ministério da Agricultura e Pecuária.
O modelo prevê o uso de alojamento coletivo para fêmeas suínas, permitindo maior liberdade de movimentação nas baias após a cobertura.
Bem-estar animal na suinocultura avança nos projetos
A adoção do sistema sinaliza uma mudança gradual no manejo reprodutivo da suinocultura.
No modelo “Cobre e Solta”, as matrizes deixam de permanecer por longos períodos em celas individuais. A proposta é adequar as instalações a um padrão que considere comportamento natural, conforto físico e redução de restrições de movimento.
Segundo a Frimesa, a medida será aplicada aos novos projetos a partir de 2030, não representando uma mudança imediata em todas as estruturas já existentes.
A decisão integra o Programa de Bem-Estar Animal Frimesa e o Projeto Suíno Certificado Frimesa, que reúne critérios ligados a bem-estar animal, rastreabilidade, segurança alimentar, saúde e segurança do trabalho e meio ambiente.
Transição exige investimento e adaptação
A mudança no sistema de alojamento envolve impactos produtivos e financeiros.
Estruturas coletivas exigem planejamento de espaço, adequação das granjas, ajustes de manejo e acompanhamento técnico. Também podem demandar novos protocolos para reduzir disputas entre animais e manter índices reprodutivos.
A própria Frimesa reconhece que as adequações trazem desafios financeiros aos produtores rurais. Por isso, afirma que a transição será conduzida com suporte técnico, acompanhamento das cooperativas filiadas e mobilização dos produtores associados.
Esse ponto é relevante porque a suinocultura brasileira opera em diferentes modelos produtivos, incluindo granjas independentes, cooperadas e integradas.
Mercado cobra novos padrões de produção
A pauta do bem-estar animal tem ganhado espaço na suinocultura, especialmente pela combinação entre regulamentação, pressão de consumidores, compromissos corporativos e exigências de mercados compradores.
Na cadeia de proteína animal, temas como rastreabilidade, manejo, sanidade e ambiência passaram a fazer parte da agenda de competitividade.
A Instrução Normativa nº 113/2020 estabelece boas práticas de manejo e bem-estar animal nas granjas de suínos de criação comercial. Entre os pontos tratados estão instalações, manejo reprodutivo, ambiência, alimentação, água e capacitação das equipes.
Para cooperativas e agroindústrias, adequar novos projetos pode reduzir riscos regulatórios e preparar a cadeia para exigências comerciais futuras.
Suinocultura passa por ajuste estrutural
A decisão da Frimesa ocorre em um momento de maior atenção sobre custos, margens e acesso a mercados na suinocultura.
A adoção de novos padrões não muda apenas a estrutura física das granjas. Ela também influencia o planejamento de investimentos, assistência técnica e gestão dos produtores.
No caso do sistema “Cobre e Solta”, o desafio será equilibrar bem-estar animal, eficiência produtiva e viabilidade econômica.
Ao definir 2030 como marco para novos projetos, a cooperativa indica um processo gradual de adaptação. Para o setor, o movimento reforça que a competitividade da proteína suína tende a depender cada vez mais de critérios produtivos, sanitários e socioambientais.


















