Operação envolve 41,2 mil hectares destinados à soja, milho e algodão e reforça o peso da terra na estratégia das grandes produtoras
A SLC Agrícola exerceu o direito de preferência para comprar um conjunto de propriedades rurais da Radar, empresa de terras agrícolas ligada à Cosan e à gestora americana Nuveen.
A operação envolve 41,2 mil hectares em Mato Grosso e soma R$ 1,85 bilhão, conforme comunicado da companhia ao mercado. As áreas compõem o chamado “Bloco Mato Grosso” e são destinadas ao cultivo de soja, milho e algodão.
O movimento chama atenção pelo valor da transação e pelo peso estratégico da terra em uma das principais regiões produtoras do país.
Compra de terras agrícolas em Mato Grosso reforça escala
A decisão da SLC ocorre após a Radar receber proposta de compra pelos imóveis. Como já arrendava parte das áreas, a produtora tinha direito de preferência previsto em contrato.
Segundo a companhia, a aquisição será feita em caráter indivisível e em igualdade de condições com a proposta apresentada às proprietárias dos ativos.
Dos 41,2 mil hectares envolvidos, 28,8 mil hectares são agricultáveis. A SLC já opera 17,6 mil hectares desse conjunto, o que reduz o tempo necessário para integrar as propriedades à sua operação.
O pagamento será dividido em duas etapas. A empresa deve depositar R$ 700 milhões como sinal e quitar o saldo de R$ 1,15 bilhão na lavratura das escrituras públicas, prevista até 30 de outubro de 2026.
Terra volta ao centro da estratégia
A transação se destaca porque ocorre em um momento em que muitas empresas do agro têm buscado modelos mais leves em capital, com expansão via arrendamento, parcerias e eficiência operacional.
No caso da SLC, a compra indica que determinados ativos seguem sendo considerados estratégicos, especialmente quando já estão integrados à operação produtiva.
Ao exercer a preferência, a companhia evita a perda de áreas que já utilizava e preserva a continuidade de uma base agrícola madura.
Esse ponto é relevante em Mato Grosso, Estado que concentra parte importante da produção nacional de grãos e fibras. Em áreas destinadas a soja, milho e algodão, escala, localização e histórico produtivo influenciam diretamente a competitividade.
Radar vende parte do portfólio agrícola
A operação também se insere na estratégia da Cosan de vender ativos da Radar.
Em fato relevante divulgado anteriormente, a Cosan informou que o Grupo Radar havia firmado compromisso para alienar parte de suas propriedades agrícolas em Mato Grosso. A fatia negociada corresponde a cerca de 12% do portfólio de terras da Radar.
Do valor total da transação, aproximadamente R$ 586 milhões correspondem à participação econômica da Cosan nos ativos.
A venda reforça um movimento de reciclagem de capital por parte de grupos com participação em propriedades rurais. Para compradores estratégicos, por outro lado, ativos produtivos em regiões consolidadas podem ganhar relevância diante da disputa por áreas de alta performance.
Operação mostra influência no agro
Mais do que uma compra de terras, a transação evidencia como o controle de ativos agrícolas ainda pesa na estrutura de influência do agronegócio brasileiro.
Mesmo com o avanço da tecnologia, crédito, logística e indústria, a terra segue sendo um dos principais fatores de competitividade para grandes grupos produtores.
No caso da SLC, a aquisição fortalece a presença em Mato Grosso e preserva áreas já conectadas à operação da companhia.
A conclusão da operação ainda poderá depender de análise pelo Cade, caso aplicável. Até lá, o negócio já sinaliza um ponto central para o setor: em regiões agrícolas estratégicas, a disputa por terra continua sendo também uma disputa por escala, produção e posição de mercado.


















