CATI e IAC disponibilizam variedades adaptadas para ajudar produtores a enfrentar estiagem, pragas e maior instabilidade climática
A escolha de sementes e mudas adaptadas tornou-se uma decisão cada vez mais estratégica para produtores expostos a estiagens, pragas e maior instabilidade climática. No Dia do Agricultor, celebrado em 28 de julho, a Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado de São Paulo destacou o papel da pesquisa agrícola e da assistência técnica na redução de riscos no campo.
A agenda ganhou peso diante de eventos climáticos mais frequentes e da pressão de pragas em diferentes culturas. Nesse contexto, variedades resistentes ou mais rústicas contribuem para dar maior estabilidade à produção, especialmente em áreas sujeitas a déficit hídrico, solos em correção ou plantios realizados fora da janela ideal.
Em São Paulo, produtores contam com materiais desenvolvidos e disponibilizados pela Diretoria de Assistência Técnica Integral, a CATI, e pelo Instituto Agronômico, o IAC, órgãos vinculados à Secretaria de Agricultura.
Milho rústico apoia produção em áreas vulneráveis
Entre os materiais disponibilizados pela CATI estão variedades de milho de polinização aberta, que apresentam maior rusticidade em relação a híbridos comerciais. Esse perfil permite melhor recuperação após ataques de pragas e períodos de déficit hídrico, como veranicos, reduzindo o risco de perdas nas lavouras.
O produtor Luís Bustos, de Tremembé, no Vale do Paraíba, utiliza há cerca de dez anos a variedade de milho AL Piratininga, fornecida pela CATI Sementes e Mudas. Segundo ele, o material apresentou bom desempenho mesmo em períodos de seca.
“A Piratininga tem um preço acessível e é bem resistente. Recentemente tivemos um período de seca e ajudou bastante. Eu indico para vários amigos”, afirma.
O uso de variedades mais rústicas não elimina os riscos da produção, mas amplia a capacidade de resposta da lavoura em ambientes de maior instabilidade. Para produtores que operam com margens apertadas, a combinação entre custo acessível e tolerância a adversidades pode ser decisiva na formação do resultado da safra.
Material adaptado reduz exposição do produtor
De acordo com o engenheiro agrônomo Fernando Alves dos Santos, chefe da Divisão Laboratorial de Sementes e Mudas da CATI, esses materiais são indicados para situações de maior vulnerabilidade no campo.
“São variedades com excelente desempenho produtivo e custo acessível. Em áreas com maior risco, como plantios no final da época recomendada ou em solos ainda em processo de correção, materiais mais rústicos e tolerantes às adversidades climáticas tornam-se fundamentais para reduzir o risco da atividade agrícola”, explica.
A lógica é especialmente relevante para pequenos e médios produtores, que muitas vezes têm menor capacidade de absorver perdas provocadas por clima ou pragas. Nessas condições, o material genético passa a funcionar como uma ferramenta de gestão de risco, ao lado do manejo, da assistência técnica e do planejamento da safra.
IAC soma mais de 1,2 mil cultivares
Além da atuação da CATI, o Instituto Agronômico mantém programas de melhoramento genético voltados ao desenvolvimento de materiais adaptados a diferentes ambientes de produção. Ao longo de 139 anos de pesquisa agrícola ininterrupta, o IAC desenvolveu, até junho de 2026, 1.205 cultivares de 112 espécies vegetais.
Os programas da instituição incluem materiais com resistência a doenças e pragas, tolerância à seca e maior produtividade. Entre os destaques estão cultivares de café resistentes à ferrugem e ao nematoide, variedades de cana-de-açúcar adaptadas a diferentes regiões, uvas mais tolerantes ao calor e ao déficit hídrico, além de materiais voltados a citros, feijão, amendoim e outras culturas estratégicas para a agricultura brasileira.
O avanço dessas cultivares reforça o papel da pesquisa pública na adaptação da produção agrícola. Em um cenário de maior exposição climática, materiais mais resilientes ajudam a reduzir perdas, estabilizar produtividade e ampliar a segurança do produtor na tomada de decisão.
Pesquisa entra na agenda de competitividade
A adoção de sementes e mudas resistentes deixou de ser apenas uma escolha agronômica e passou a integrar a agenda de competitividade no campo. O produtor precisa considerar custo, risco climático, pressão de pragas, tipo de solo, janela de plantio e acesso a assistência técnica antes de definir o material mais adequado.
Para a agricultura paulista, o desafio é aproximar pesquisa, extensão rural e produtor. A oferta de variedades adaptadas pela CATI e pelo IAC mostra que a inovação também passa por soluções acessíveis, capazes de atender diferentes perfis de produção e regiões.
No Dia do Agricultor, a mensagem central é menos comemorativa e mais operacional: diante de clima instável e maior pressão produtiva, a resiliência da lavoura começa antes do plantio, na escolha do material genético e no planejamento técnico da safra.


















