Evento severo atingiu propriedades rurais, lavouras, estufas e estruturas produtivas; força-tarefa estadual levanta danos na região
A tempestade que atingiu a região de Ribeirão Preto, no interior de São Paulo, na madrugada de sexta-feira, 24 de julho, deixou prejuízos também no campo. Além dos danos registrados em áreas urbanas, produtores rurais começaram a contabilizar perdas em lavouras, estufas, pomares, estruturas produtivas e estoques agrícolas.
O evento foi provocado pela entrada de uma frente fria no interior paulista, em choque com uma massa de ar muito quente que atuava sobre o norte do estado. A explicação afasta a associação direta com o El Niño, fenômeno que está em desenvolvimento, mas cujos efeitos mais consistentes sobre São Paulo devem aparecer com maior força na primavera.
Segundo informações meteorológicas divulgadas após o episódio, a hipótese mais provável é a ocorrência de uma sequência de microexplosões, fenômenos associados a nuvens de tempestade capazes de produzir chuva intensa e rajadas fortes de vento em áreas concentradas. Não há evidências de tornado.
Na região, os ventos chegaram a 122 km/h em Pradópolis, segundo registros citados por meteorologistas. Em Ribeirão Preto, a Defesa Civil informou rajadas de 70 km/h, embora o padrão de destruição indique que áreas específicas possam ter registrado ventos mais fortes.
Campo entra na conta dos prejuízos
O Governo de São Paulo, por meio da Secretaria de Agricultura e Abastecimento, mobilizou uma força-tarefa para levantar os danos à produção rural na região de Ribeirão Preto.
Técnicos da Diretoria de Assistência Técnica Integral, a CATI, passaram a percorrer propriedades para identificar perdas, dimensionar danos à produção e à infraestrutura e subsidiar medidas emergenciais de apoio aos produtores.
A operação mobiliza 21 técnicos em campo, sendo 13 da CATI Regional de Ribeirão Preto e oito da Regional de Jaboticabal, além de três profissionais dedicados ao apoio dos levantamentos e à consolidação das informações.
O trabalho envolve vistorias presenciais e coleta de dados junto a produtores, Casas da Agricultura, prefeituras, Defesas Civis, sindicatos, cooperativas, associações, usinas e empresas do setor.
Taquaritinga tem quadro mais crítico
O levantamento preliminar da Secretaria aponta Taquaritinga como o município com o quadro rural mais crítico até o momento, com relatos de perdas em estufas, lavouras, pomares e estruturas de propriedades rurais.
Somente no município, mais de 20 produtores já foram contatados pelas equipes. Uma plantação de chuchu foi uma das áreas afetadas pelas chuvas recentes que atingiram a região.
Também foram identificados impactos em canaviais, estoques de amendoim e estruturas produtivas nas regiões de Ribeirão Preto e Jaboticabal.
Em Guariba, os dados ainda estão sendo apurados, já que o município permaneceu isolado em função dos estragos provocados pela tempestade, o que dificultou o acesso das equipes e o levantamento completo dos danos.
Entre as culturas mencionadas nos levantamentos preliminares estão citros, goiaba, manga, abacate, feijão, girassol e hortaliças. A extensão das perdas ainda está em apuração e, até o momento, não há definição oficial sobre o número de hectares atingidos nem sobre o valor financeiro dos prejuízos.
Produção e infraestrutura foram atingidas
O impacto da tempestade reforça a vulnerabilidade do agro a eventos climáticos de evolução rápida. Em poucos minutos, a combinação de chuva intensa, granizo e rajadas de vento afetou tanto lavouras quanto estruturas essenciais para a operação das propriedades.
Na agricultura, esse tipo de ocorrência pode gerar perdas diretas em plantas, queda de frutos, danos em culturas de ciclo curto e comprometimento de qualidade em produções próximas da colheita. Em estruturas rurais, os prejuízos envolvem estufas, galpões, cercas, sistemas de irrigação, armazenagem, máquinas e instalações de apoio.
No caso das hortaliças e frutas, o dano físico causado por vento e granizo tende a ter efeito imediato sobre a comercialização. Já em culturas como cana-de-açúcar e citros, a avaliação depende da intensidade do tombamento, da quebra de plantas, da queda de frutos e da capacidade de recuperação das áreas atingidas.
“Quem é produtor rural sabe o que é olhar para a lavoura depois de uma tempestade dessas e tentar entender o tamanho do prejuízo. É um momento de muita preocupação para quem trabalha e vive da produção. Agora é hora de estar perto, ouvir cada produtor e trabalhar juntos para superar esse desafio. Nossas equipes estão no campo levantando os danos para que a gente possa entender cada situação e definir as formas de apoio”, afirma o secretário de Agricultura e Abastecimento de São Paulo, Geraldo Melo Filho.
Apoio emergencial está em avaliação
Paralelamente às vistorias, áreas técnicas da Secretaria trabalham na consolidação das informações para subsidiar possíveis medidas emergenciais.
Entre as alternativas em análise está uma linha emergencial de crédito pelo Fundo de Expansão do Agronegócio Paulista, o FEAP. Também são avaliadas medidas como eventual prorrogação de parcelas e mecanismos voltados à recuperação de estruturas danificadas.
Para agroindústrias atingidas, a Secretaria deverá avaliar, junto à Desenvolve SP, possíveis medidas específicas.
A CATI também disponibilizou um formulário eletrônico para padronizar o registro dos danos em lavouras, pastagens, criações, máquinas e infraestrutura rural. O objetivo é organizar as informações e orientar a definição de medidas de apoio conforme a intensidade dos prejuízos em cada propriedade.
Evento severo acelera resposta no agro
O episódio na região de Ribeirão Preto mostra que a agenda climática no agro não se limita a fenômenos de longa duração, como El Niño ou La Niña. Eventos severos e localizados, associados a frentes frias e tempestades convectivas, também podem gerar prejuízos expressivos em pouco tempo.
No curto prazo, a prioridade é medir as perdas, atender produtores atingidos e restabelecer as condições de produção. O levantamento continuará sendo atualizado conforme o avanço das vistorias, com foco em identificar, propriedade por propriedade, as culturas e atividades afetadas, a intensidade dos danos e as necessidades para recuperação.
Para produtores, cooperativas, usinas, agroindústrias e poder público, a resposta passa por três frentes: levantamento rápido dos danos, acesso a instrumentos de apoio e melhoria da gestão preventiva de risco.
Seguro rural, manutenção de estruturas, sistemas de proteção, monitoramento meteorológico e planos de contingência para propriedades e cadeias logísticas tendem a ganhar mais peso em regiões expostas a extremos climáticos.
No médio prazo, a tempestade reforça uma preocupação crescente para o agro paulista: transformar alerta climático em planejamento operacional antes que eventos extremos se convertam em prejuízos recorrentes.


















