PIMAgro do FGVAgro aponta avanço em abril, puxado por alimentos e biocombustíveis, enquanto bebidas e insumos recuam
A produção agroindustrial brasileira cresceu 1,8% em abril de 2026, na comparação com o mesmo mês do ano anterior. O dado faz parte do Índice de Produção Agroindustrial, o PIMAgro, elaborado pelo FGVAgro.
O resultado foi sustentado pelos dois grandes segmentos acompanhados pelo levantamento. Produtos Alimentícios e Bebidas avançaram 2,4%, enquanto Produtos Não Alimentícios cresceram 1%.
Apesar da alta geral, o desempenho positivo ficou concentrado em poucos setores. Segundo o FGVAgro, apenas Produtos Alimentícios e Biocombustíveis registraram crescimento em abril.
Produção agroindustrial avança com alimentos
O setor de Produtos Alimentícios cresceu 3,2% em abril, frente ao mesmo mês de 2025. Dentro desse grupo, o principal destaque foi o subsetor de Alimentos de Origem Vegetal, com alta de 7,3%.
Esse avanço foi impulsionado pelo aumento da produção de açúcar, trigo e café. No entanto, parte da alta também reflete uma base de comparação mais baixa em abril de 2025.
O crescimento foi limitado por quedas em conservas e sucos, óleos e gorduras e arroz.
Já os Alimentos de Origem Animal avançaram 1%. O desempenho foi favorecido pelo maior abate de aves e suínos, enquanto pescados, laticínios e abate de bovinos impediram alta mais forte.
Bebidas têm queda em abril
Mesmo com o avanço do segmento de Produtos Alimentícios e Bebidas, o setor de Bebidas registrou retração de 1,8% em abril.
A queda foi generalizada. A produção de Bebidas Alcoólicas recuou 3,1%, enquanto as Bebidas Não Alcoólicas tiveram queda de 0,5%.
O resultado mostra que o crescimento do grupo foi sustentado exclusivamente pelos alimentos.
No acumulado do ano, porém, Bebidas ainda registram expansão de 2,2%, apesar da contração observada em abril.
Biocombustíveis puxam segmento não alimentar
Entre os Produtos Não Alimentícios, o destaque positivo foi o setor de Biocombustíveis, com alta de 51,3% em abril.
De acordo com o índice, o crescimento reflete o aumento da moagem e da qualidade da cana-de-açúcar. Além disso, a demanda por etanol foi favorecida pela maior competitividade do biocombustível em relação à gasolina.
O desempenho dos biocombustíveis foi decisivo para garantir avanço de 1% no segmento de Produtos Não Alimentícios.
Sem esse impulso, o quadro seria mais negativo, já que os demais setores do grupo apresentaram retração.
Insumos agropecuários seguem em queda
O principal destaque negativo foi o setor de Insumos Agropecuários, que recuou 13,3% em abril.
Essa foi a sexta queda interanual consecutiva do setor. O resultado foi influenciado pela menor produção de defensivos agrícolas, tratores, máquinas agrícolas, intermediários para fertilizantes, adubos e fertilizantes.
A retração não pode ser atribuída apenas aos efeitos do conflito no Irã, já que o setor vinha apresentando queda nos meses anteriores.
Ainda assim, o conflito tende a reforçar dificuldades relacionadas a custos, combustíveis, fretes e insumos.
Produtos Florestais também caíram em abril, com retração de 2,6%. O setor registrou sua sexta queda interanual consecutiva, pressionado pela menor produção de celulose, papel e madeira.
Agroindústria mostra resiliência em 2026
No acumulado de janeiro a abril, a agroindústria brasileira registrou crescimento de 0,7%. O avanço é modesto, mas mostra resiliência diante dos choques enfrentados pelo setor em 2026.
No mesmo período, a Indústria de Transformação cresceu 0,3%, desempenho inferior ao da agroindústria.
Produtos Alimentícios acumulam alta de 2,7% no ano. Bebidas crescem 2,2%, enquanto Produtos Não Alimentícios ainda registram queda de 1,8%.
O conflito no Irã aparece como o principal fator de pressão no ano, por dificultar exportações para a região e elevar custos de produção, especialmente combustíveis e fretes.
Novos choques ainda pressionam o setor
Apesar da resistência observada até abril, o FGVAgro aponta que a agroindústria ainda deve enfrentar novos desafios.
Entre eles estão o esgotamento da cota chinesa de importação de carne bovina brasileira e a retirada do Brasil, a partir de setembro, da lista de países habilitados a exportar produtos de origem animal para a União Europeia.
Também pesa a nova rodada de tarifas dos Estados Unidos, que deve atingir produtos como calçados e pescados.
Assim, o resultado de abril confirma a recuperação pontual da produção agroindustrial, mas também mostra uma expansão desigual.
A alta dependeu principalmente de alimentos e biocombustíveis, enquanto setores ligados a insumos, bebidas e produtos florestais seguem pressionados.
Para os próximos meses, o desempenho da agroindústria dependerá da capacidade de absorver custos, preservar mercados externos e manter competitividade em cadeias estratégicas.


















