A desaceleração da agroindústria brasileira em fevereiro antecipou um movimento que, até então, era projetado para os meses seguintes. O Índice de Produção Agroindustrial (PIMAgro), do FGVAgro, aponta retração de 1,9% na comparação anual, interrompendo a sequência de crescimento observada desde setembro de 2025.
O dado reposiciona a leitura sobre o ritmo do setor no início de 2026. A perda de fôlego ocorre antes da Guerra do Irã, indicando que a inflexão já estava em curso dentro da própria dinâmica produtiva.
Mudança de ciclo
A contração foi puxada principalmente pelo segmento de produtos não alimentícios, que recuou 5,5% no período e acumula uma sequência prolongada sem expansão desde março de 2025.
Dentro desse grupo, a queda foi disseminada. Insumos agropecuários recuaram 11,5%, refletindo menor produção de fertilizantes, defensivos e máquinas. Produtos têxteis caíram 11,1%, enquanto o segmento florestal registrou retração de 1,8%.
A exceção foi o avanço de biocombustíveis, com alta de 33,5%, único vetor positivo relevante dentro desse bloco.
O movimento indica uma deterioração mais estrutural nos elos industriais ligados ao agro, especialmente aqueles conectados à base de insumos e transformação, com impacto direto sobre custos e cadeias produtivas.
Alimentos perdem sustentação
No segmento de alimentos e bebidas, o crescimento de 0,9% mascara uma mudança relevante na composição da expansão.
Pela primeira vez na sequência recente, o avanço foi sustentado exclusivamente pelo setor de bebidas, que cresceu 6,2%. Já a produção de alimentos recuou 0,3%.
A principal pressão veio da queda de 1,6% nos produtos de origem animal, com impacto de carnes bovina e pescados, superando o desempenho positivo de suínos, aves e leite.
Mesmo com alta de 2,7% nos produtos de origem vegetal, o peso relativo menor desse grupo impediu a compensação da queda no segmento animal.
Pressão industrial
No primeiro bimestre, a agroindústria acumula retração de 0,7%, desempenho ainda superior ao da indústria de transformação, mas sustentado exclusivamente pelo segmento de alimentos e bebidas, que cresce 1,6% no período.
O segmento não alimentício, por outro lado, acumula queda de 3,7%, mantendo-se como principal fator de pressão sobre o índice geral.
A leitura consolidada dos dados aponta que a reversão do ciclo de recuperação ocorreu antes do esperado. A desaceleração já estava instalada antes de qualquer fator externo mais recente, deslocando o foco para questões internas da dinâmica produtiva.
A inflexão observada em fevereiro reposiciona o comportamento da agroindústria em 2026, com destaque para o enfraquecimento dos segmentos industriais ligados ao agro e maior dependência de poucos vetores de sustentação, especialmente bebidas e biocombustíveis.
Confira os resultados do PIMAgro do FGVAgro aqui.


















