Rigor sanitário blinda agro brasileiro das tarifas dos EUA

Carnes e café ficam fora da proposta tarifária norte-americana, enquanto rigor sanitário ganha peso na competitividade internacional do agro

A exclusão de carnes e café da nova proposta tarifária dos Estados Unidos reacendeu o debate sobre competitividade no agro brasileiro. O governo norte-americano propôs tarifa adicional de 25% sobre produtos do Brasil, mas deixou itens como carne bovina e café fora da cobrança.

A medida foi apresentada pelo Escritório do Representante Comercial dos Estados Unidos, o USTR. De acordo com o órgão, a investigação foi conduzida com base na Seção 301 da Lei de Comércio de 1974.

Nesse cenário, o Sindicato Nacional dos Auditores Fiscais Federais Agropecuários (Anffa Sindical) avalia que a decisão evidencia a confiança internacional no sistema brasileiro de defesa agropecuária. Segundo a entidade, o afastamento de carnes e café da proposta tarifária reforça o peso da credibilidade sanitária construída pelo país.

Rigor sanitário no agro brasileiro ganha peso

Para o presidente do Anffa Sindical, Janus Pablo Macedo, a exclusão dos produtos mostra a complementaridade comercial entre Brasil e Estados Unidos. Além disso, indica reconhecimento ao sistema de defesa agropecuária do país.

“O afastamento de produtos fundamentais do agronegócio brasileiro, como carnes e café, da proposta de tarifas dos Estados Unidos demonstra o peso da nossa complementaridade comercial”, afirmou Macedo, segundo o Anffa Sindical.

Ainda conforme o dirigente, a proteção do Brasil diante de tensões comerciais está na consistência técnica. Segundo ele, rastreabilidade, certificação internacional e fiscalização oferecem segurança jurídica ao mercado global.

O Anffa Sindical destaca que os auditores fiscais federais agropecuários atuam na inspeção e certificação de produtos animais e vegetais. Eles também verificam requisitos sanitários exigidos por países importadores.

Tarifas dos EUA ampliam tensão comercial

A proposta norte-americana ainda não foi implementada. O governo dos Estados Unidos abriu consulta pública antes de tomar a decisão final.

A proposta prevê duas tarifas adicionais sobre produtos brasileiros. Uma delas é de 25% e envolve alegações sobre práticas comerciais desleais.

A segunda cobrança seria de 12,5%, relacionada ao que Washington classifica como insuficiência no combate ao trabalho forçado. As medidas, contudo, seguem em análise.

O USTR afirmou que práticas brasileiras seriam “irrazoáveis” ou discriminatórias e poderiam restringir o comércio norte-americano. Entre os temas citados estão comércio digital, pagamentos eletrônicos e desmatamento ilegal.

Nesse sentido, destaca-se a relevância da Seção 301. O texto aponta como temas ambientais, digitais e institucionais podem fundamentar sanções comerciais.

Exportadores contestam impactos das tarifas

Representantes de diferentes setores contestaram a proposta em manifestações enviadas à consulta pública aberta por Washington. Empresas brasileiras e norte-americanas alegam risco de aumento de preços e perda de competitividade nos Estados Unidos.

Setores como pesca, siderurgia, tecnologia, agricultura e alimentos afirmam que as tarifas poderiam prejudicar cadeias dependentes de produtos brasileiros.

No caso do mel orgânico, representantes do setor apontaram forte dependência do mercado norte-americano. Mais de três quartos do mel orgânico certificado importado pelos Estados Unidos vêm do Brasil.

Além disso, o setor de sementes argumentou que cadeias globais são essenciais para a circulação de tecnologias agrícolas.

Defesa agropecuária sustenta acesso a mercados

A discussão reforça a relevância das estruturas de defesa agropecuária em um cenário de barreiras comerciais mais complexas. Para o Anffa Sindical, fiscalização e certificação são ativos estratégicos para preservar mercados de alto valor.

Assim, a exclusão de carnes e café da proposta dos Estados Unidos não elimina os riscos comerciais. Porém, reforça que o rigor sanitário segue como um diferencial competitivo do agro brasileiro.

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