Com a reforma tributária, ocorrências como atrasos, devoluções e pagamentos passam a impactar a apuração de impostos no agro
A reforma tributária deve ampliar a complexidade fiscal para produtores rurais. Entre as mudanças previstas está a inclusão de ocorrências no ciclo de vida das notas fiscais.
A exigência está ligada à chamada Apuração Assistida. Nesse modelo, a Receita Federal e o Comitê Gestor passam a calcular automaticamente o imposto devido, com base nas notas fiscais emitidas e recebidas.
Entretanto, a nota fiscal isolada nem sempre representa toda a operação no campo. Por isso, segundo a Aegro, eventos posteriores à emissão passam a ganhar relevância fiscal.
Eventos nas NFs do produtor rural ganham importância
Com as novas regras, produtores deverão informar ocorrências como atrasos na entrega, mercadorias roubadas, devoluções parciais e pagamentos confirmados.
Essas situações poderão afetar diretamente a apuração dos tributos. Além disso, falhas no registro podem gerar pagamento indevido ou perda de créditos tributários.
“Se o produtor não registrar o evento correto, o governo calcula o imposto errado”, afirma Matheus de Paula, especialista de Produtos Fiscais na Aegro.
Segundo ele, o produtor pode pagar mais do que deve ou perder o direito a créditos tributários.
A mudança ocorre no contexto de implementação do IBS e da CBS, novos tributos previstos na reforma tributária.
Reforma tributária exige adaptação no agro
A nova dinâmica fiscal tende a exigir maior controle sobre documentos e operações rurais. Afinal, alterações no ciclo da nota precisarão ser comunicadas ao fisco.
Essas comunicações serão feitas por meio dos chamados “Eventos da NF-e”, conforme explicou a Aegro.
Na prática, o produtor rural precisará registrar situações que antes poderiam ficar concentradas em controles internos da fazenda.
Assim, a gestão fiscal passa a depender de maior integração entre operação, documentação e acompanhamento financeiro.
Aegro Conecta discutirá novas regras fiscais
Para tratar do tema, a Aegro realizará a 12ª edição do Aegro Conecta em 25 de junho de 2026, às 19h.
O evento será online e gratuito, com transmissão ao vivo pelo YouTube em área reservada para inscritos.
Com o tema “A Reforma Tributária avança, seu sistema também”, o encontro discutirá os impactos fiscais na gestão da fazenda.
A programação inclui participação da contadora e tributarista Fernanda Bueno, que abordará os efeitos práticos da reforma tributária para produtores rurais e gestores de fazenda.
Tecnologia fiscal busca reduzir riscos operacionais
Durante o evento, a Aegro também apresentará funcionalidades voltadas à adaptação da gestão fiscal no campo.
Uma delas é a importação automática de CT-e. O recurso integra Conhecimentos de Transporte Eletrônico à plataforma via Sefaz.
Além disso, a companhia apresentará emissão automática de notas de devolução, com campos tributários pré-preenchidos.
Segundo Matheus de Paula, a funcionalidade foi desenvolvida para simplificar o cumprimento da nova obrigação fiscal.
“A Aegro desenvolveu essa funcionalidade para que o produtor cumpra essa obrigação sem precisar entender toda a complexidade técnica por trás dela”, explica.
Gestão rural amplia controle sobre pecuária e grãos
Além da frente fiscal, a Aegro apresentará soluções para pecuária e comercialização de grãos.
O Módulo de Pecuária foi lançado em maio e atende produtores com operações mistas de lavoura e pecuária, segundo a empresa.
A ferramenta permite controle de rebanho, cálculo de Ganho Médio Diário, custo por cabeça e margem por lote.
Outro lançamento é o módulo de Contratos de Venda Futura. A solução foi criada para produtores que vendem grãos a tradings antes da entrega física.
Segundo Francisco Borja, diretor de Produto da Aegro, muitos produtores ainda controlam entregas, notas fiscais e saldos em planilhas.
“Falta visibilidade financeira sobre o que a fazenda tem a receber”, afirma Borja.
De acordo com o executivo, o novo módulo centraliza esse controle com extrato carga a carga, saldo em tempo real e integração financeira.
Obrigações fiscais ampliam peso da gestão no campo
A reforma tributária tende a reposicionar a gestão fiscal dentro das propriedades rurais. Portanto, controles operacionais e fiscais passam a caminhar juntos.
Nesse cenário, produtores precisarão acompanhar documentos, entregas, devoluções e pagamentos com maior precisão.
Mais do que uma exigência burocrática, a mudança pode impactar o fluxo de caixa, créditos tributários e tomada de decisão na fazenda.


















