Proibição do foie gras aguarda sanção de Lula

Projeto aprovado pelo Congresso veda produção e venda de alimentos obtidos por alimentação forçada de animais

A decisão sobre a proibição do foie gras no Brasil está nas mãos do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

O Projeto de Lei 90/2020, que veda a produção e a comercialização de alimentos obtidos por alimentação forçada de animais, foi encaminhado ao Palácio do Planalto para sanção presidencial.

O texto inclui o foie gras, produto feito a partir do fígado de patos e gansos submetidos à alimentação forçada. Caso seja sancionada, a proposta estabelecerá uma proibição nacional sobre a produção e a venda da iguaria.

Proibição do foie gras no Brasil chega ao Planalto

O PL 90/2020 foi apresentado em 2020 pelo senador Eduardo Girão e tramitou por seis anos no Congresso Nacional.

A proposta foi aprovada pelo Senado e, posteriormente, analisada pela Câmara dos Deputados. Como o texto passou pelas comissões sem alterações, seguiu para a etapa de sanção presidencial.

Durante a tramitação, organizações de proteção animal defenderam a medida com base no argumento de combate a práticas consideradas cruéis na produção de alimentos.

Segundo as entidades, o projeto recebeu apoio de centenas de organizações da sociedade civil e mais de 288 mil assinaturas favoráveis à proibição.

Entidades pedem sanção sem vetos

Com o texto no Palácio do Planalto, organizações de proteção animal passaram a pedir que o presidente sancione integralmente a proposta.

A Associação Nacional de Advogados Animalistas (ANAA) afirma que a Constituição Federal veda práticas cruéis contra animais e que o Congresso já concluiu a análise legislativa do tema.

“O Congresso Nacional já cumpriu seu papel e aprovou o projeto após um amplo debate legislativo. Agora esperamos que o presidente Lula sancione a lei”, afirmou Giseli Cheim, presidente da ANAA.

Marina Lemes, gerente de projetos da Animal Equality, também defendeu a sanção sem vetos.

“Esta é uma oportunidade histórica para que o Brasil reafirme seu compromisso com a proteção animal”, declarou.

Pressão internacional entrou no debate

A tramitação também mobilizou setores contrários à proibição.

Segundo organizações de proteção animal, representantes da indústria francesa do foie gras e chefs ligados à gastronomia defenderam publicamente a manutenção do produto no mercado brasileiro.

As entidades afirmam que a demora no envio do projeto ao Palácio do Planalto gerou preocupação, especialmente por ter coincidido com a intensificação desse movimento.

A ANAA ressalta, porém, que não há evidência de que o intervalo tenha sido causado por pressão internacional.

Agora, a decisão cabe à Presidência da República, que poderá sancionar integralmente o texto, vetar trechos ou vetar a proposta.

O que está em discussão

O foie gras é produzido por meio da chamada gavage, técnica de alimentação forçada de patos e gansos.

O procedimento consiste na introdução de alimento diretamente no esôfago das aves para provocar aumento anormal do fígado.

Organizações de proteção animal afirmam que a prática causa sofrimento intenso, lesões, estresse e dificuldade respiratória.

Por esse motivo, diversos países já restringiram ou proibiram a produção de foie gras. O debate brasileiro, agora, avança para a possibilidade de proibição também da comercialização.

Medida pode alterar mercado gastronômico

A eventual sanção terá impacto direto sobre restaurantes, importadores, distribuidores e consumidores do produto no Brasil.

Embora o foie gras seja um item de nicho, ligado principalmente à alta gastronomia, a proibição cria um precedente regulatório relevante para alimentos associados a práticas de manejo contestadas.

Para defensores da proposta, o ponto central é impedir que uma prática considerada cruel permaneça permitida no país.

Para setores contrários, a discussão envolve liberdade econômica, tradição gastronômica e acesso a produtos importados.

Com o projeto no Planalto, o Brasil entra na fase final de uma discussão que combina bem-estar animal, comércio, gastronomia e limites éticos na produção de alimentos.

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