Broto e iRancho lançam gestão para pecuária

Sistema integra rastreabilidade individual, dados produtivos e controle do rebanho em um momento de maior exigência para a cadeia bovina

O Broto, ecossistema digital de agronegócio do Banco do Brasil e da BB Seguros, e a agtech iRancho anunciaram o lançamento do Broto Gestão Pecuária.

A solução é voltada à gestão da pecuária de corte e combina rastreabilidade individual dos animais, controle do rebanho e visão integrada da produção.

O sistema chega em um momento em que a cadeia bovina passa por maior pressão por eficiência, controle de dados e comprovação de origem.

Gestão da pecuária de corte ganha nova ferramenta

O Broto Gestão Pecuária centraliza informações que, em muitas propriedades, ainda ficam dispersas em planilhas, anotações ou controles manuais.

A plataforma permite acompanhar dados do rebanho, organizar manejos, monitorar desempenho produtivo e apoiar decisões com base em informações estruturadas.

Segundo as empresas, clientes que utilizam a solução relatam redução de até metade do tempo dedicado ao manejo do rebanho. Também é apontado o potencial de dobrar o giro de caixa da propriedade com o abate precoce.

Na prática, a proposta é dar ao pecuarista mais clareza sobre custos, produtividade e gargalos da operação.

Rastreabilidade entra no centro da pecuária

Além da eficiência operacional, a rastreabilidade individual dos animais é um dos principais pontos do sistema.

O tema ganhou importância com novas exigências regulatórias, financeiras e comerciais. Em 2025, a Febraban publicou norma para impedir que o crédito bancário financie atividades ligadas ao desmatamento ilegal.

A União Europeia também avança com a Lei Antidesmatamento, a EUDR, que restringe a entrada de produtos vinculados a áreas desmatadas.

No Brasil, o Plano Nacional de Identificação Individual de Bovinos e Búfalos, o PNIB, prevê tornar obrigatória a identificação individual de bovinos e búfalos até 2032.

Nesse cenário, a rastreabilidade deixa de ser apenas diferencial competitivo e passa a ser requisito de acesso a crédito, mercados e cadeias mais estruturadas.

Dados ajudam a reduzir risco no campo

Para Alberto Martinhago, diretor de Agronegócios e Agricultura Familiar do Banco do Brasil, sistemas de gestão são aliados na mitigação de riscos da atividade rural.

Segundo ele, iniciativas como essa estão alinhadas à modernização do setor e ao incentivo a uma pecuária mais rentável, otimizada e sustentável.

O ponto é relevante porque a pecuária de corte envolve ciclos longos, capital intensivo e exposição a variáveis como preço do boi, custo da reposição, pastagem, sanidade, clima e mercado externo.

Sem dados organizados, o produtor tem mais dificuldade para identificar perdas, medir desempenho e decidir o melhor momento de compra, venda ou abate.

Tecnologia busca alcançar diferentes perfis

Segundo José Evaldo Gonçalo, presidente do Broto, a integração com a iRancho busca ampliar o acesso do bovinocultor a ferramentas de gestão antes mais comuns em grandes operações.

A plataforma foi desenvolvida para funcionar de forma adaptada à realidade do campo. O manejo e a coleta de dados podem ser realizados offline, ponto importante para propriedades com limitações de conectividade.

A proposta é facilitar a transição para a gestão digital, inclusive em equipes menores ou com diferentes níveis de familiaridade com tecnologia.

Pecuária enfrenta nova fase de controle

Para Thiago Parente, CEO da iRancho, a ferramenta busca resolver um problema estrutural: propriedades que movimentam valores altos, mas ainda têm pouca visibilidade sobre custos reais e perdas operacionais.

“A ferramenta possibilita que o pecuarista identifique onde o dinheiro está sendo perdido, entenda seus custos reais e tome decisões baseadas em números, não em suposições”, afirma.

O lançamento reforça uma tendência na pecuária brasileira. Produtividade, rentabilidade e acesso a mercados dependerão cada vez mais de gestão, rastreabilidade e capacidade de comprovar a origem da produção.

Nesse contexto, ferramentas digitais deixam passam a fazer parte da estratégia de competitividade da fazenda.

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