Irrigação avança entre pequenos cafeicultores

Demanda por sistemas de irrigação cresceu até 30% em feiras do setor, segundo a Netafim, com maior interesse de produtores de 5 a 10 hectares

A irrigação ganha espaço na cafeicultura brasileira como resposta à busca por previsibilidade produtiva, eficiência no uso de recursos e maior segurança diante de eventos climáticos. Segundo a Netafim, a procura por soluções de irrigação cresceu até 30% nas principais feiras do setor realizadas no primeiro quadrimestre de 2026.

O movimento foi observado durante a Feira do Cerrado, a Femagri e a Fenicafé, eventos realizados em regiões estratégicas para o café, como Cerrado Mineiro, Sul de Minas Gerais e Mogiana.

Pequenos produtores ampliam demanda

Um dos principais sinais dessa mudança está no perfil dos interessados. De acordo com a Netafim, pequenos e médios cafeicultores, especialmente com áreas entre 5 e 10 hectares, passaram a liderar a busca por sistemas de irrigação.

A empresa projeta cerca de 6 mil hectares em prospecção a partir das ações nas feiras. Desse total, aproximadamente 4 mil hectares estão ligados à parceria com a Cooxupé.

Além disso, cerca de 30% da área prospectada corresponde a produtores que devem ingressar pela primeira vez no uso da irrigação.

Crédito e tecnologia favorecem acesso

O avanço também está associado a modelos financeiros mais acessíveis. Entre eles está o barter, especialmente em parceria com a Cooxupé, que permite acesso à tecnologia com crédito baseado na própria produção.

Nesse sentido, a irrigação deixa de ser uma ferramenta restrita a grandes propriedades. Gradualmente, ela passa a integrar o planejamento produtivo de cafeicultores menores.

Durante os eventos, a Netafim apresentou soluções voltadas a propriedades de menor escala. Entre elas está o IrrigaNet, desenvolvido para áreas entre 1,5 e 3 hectares.

A empresa também apresentou o Netafert, controlador com leitura de medidor de vazão e comando de fertirrigação.

Irrigação entra na estratégia produtiva

Segundo Ettore Vanzetti, gerente comercial de café da Netafim, a demanda indica uma mudança no comportamento do produtor.

“Observamos um avanço significativo na procura por soluções de irrigação em relação ao ano passado, tanto do ponto de vista comercial quanto técnico. O produtor está mais atento à necessidade de estabilidade produtiva e eficiência no uso de recursos”, afirma.

Para Vanzetti, a irrigação passa a ocupar papel mais amplo na gestão da lavoura.

“Hoje, o cafeicultor busca soluções completas, que envolvem projeto, manejo, fertirrigação, monitoramento e suporte técnico. A irrigação se torna um pilar para ganho de produtividade e segurança da safra”, destaca.

Com a profissionalização no campo e a entrada de novos perfis de produtores, a tendência é de continuidade no avanço da irrigação na cafeicultura em 2026. Assim, a tecnologia se consolida como vetor de competitividade, especialmente em um setor cada vez mais pressionado por clima, produtividade e eficiência.

Related Posts

Visão global, impacto local

Visão global, impacto local

À frente da Vetoquinol no Brasil, na América Latina e no Canadá, Jorge Espanha conduz a expansão da companhia com...

UE veta proteína animal do Brasil

UE veta proteína animal do Brasil

Medida sobre antimicrobianos entra em vigor em setembro e coloca rastreabilidade, sanidade e governança no centro do comércio agropecuário A...

Next Post

Últimas Notícias