Brasil precisará aumentar produção de frango em 2025 para atender demanda mundial

Número representaria um aumento de 20% sobre o que foi colocado no mercado no ano passado

Em 2025, o Brasil precisará aumentar em 20% o volume de carne de frango em relação que foi produzido no ano passado para dar conta de atender às demandas mundiais por alimentos.

À medida em que a população global cresce, a pressão sobre os sistemas alimentares aumenta de maneira exponencial. Essa expansão representa um desafio colossal para a produção de alimentos, especialmente de proteínas de origem animal, como o frango.

O Brasil, conhecido como celeiro do mundo, desempenha um papel vital na produção e fornecimento de alimentos para outras regiões do planeta.

Gisele Neri, gerente de produtos da Kemin, fabricante de produtos para saúde e nutrição animal e humana, destaca a urgência desse desafio: “Hoje, somos 8,1 bilhões de habitantes nessa casa chamada Planeta Terra. Em mais 25 anos, seremos 9,7 bilhões. Mais de 1,5 bilhão de pessoas a mais precisando de recursos: saúde, comida, educação, água, espaço, energia, etc.”

O Brasil, com apenas 2% da população mundial, é responsável por uma parte significativa da produção de soja, milho, café, açúcar, suco de laranja, carne bovina e carne de frango.

No mercado de proteína animal, o Brasil é um gigante. Em 2023, o país produziu quase 15 milhões de toneladas de carne de frango, com cerca de um terço desse volume destinado à exportação. Gisele declara que, “em 2025, precisaremos produzir no mínimo 18 milhões de toneladas para atender à demanda do mesmo percentual da população mundial”. Isso exigirá não apenas maior produção, mas melhorias significativas na produtividade e na saúde animal.

A especialista explica que é necessário oferecer, para a alimentação humana, uma proteína de origem animal em quantidade suficiente, mas também com um alto nível de qualidade, o que implica garantir que a carne esteja livre de resíduos de antibióticos e patógenos, e que os animais tenham um bem-estar adequado desde o nascimento até o abate.

O conceito de “One Health” ou “Saúde Única” emerge como uma abordagem essencial nesse cenário. Este conceito busca a integração da saúde humana, animal e ambiental para promover uma abordagem holística e sustentável. “O grande objetivo é minimizar o uso de todos os antimicrobianos, garantindo ao mesmo tempo a saúde e o bem-estar dos animais”.

Para alcançar esses objetivos, é necessário um conjunto de estratégias e ferramentas. “A biosseguridade, a nutrição adequada e o controle de qualidade das matérias-primas são fundamentais. Produtos que auxiliam na redução do uso de antibióticos, como prebióticos, probióticos, imunomoduladores são essenciais nesse processo, tanto na saúde e integridade intestinal quanto no controle de patógenos”.

Além disso, a escolha de aditivos, como ácidos orgânicos e adsorventes de micotoxinas, deve ser cuidadosa para garantir a eficácia e a segurança do alimento. A inovação tecnológica, como o encapsulamento de ácido butírico e o uso de beta-glucanos, desempenha um papel vital na melhoria da saúde intestinal dos animais e, consequentemente, na qualidade da carne produzida.

Para Gisele, o Brasil caminha na vanguarda da resposta a essas questões. “O conceito de One Health é uma realidade e todos somos responsáveis por colocar na mesa de milhões de famílias ao redor do mundo uma proteína de origem animal que seja economicamente viável, de qualidade, saborosa e segura”.

Frango conectado

Garantir o bem-estar animam com uso de tecnologia e impacto direto na produção é um dos objetivos da GTFoods, produtora de proteína de frango no Brasil. A empresa optou por incentivar investimentos conectando e monitorando seus aviários. Quase R$ 30 milhões foram disponibilizados para produtores e investidos nos últimos três anos.

Dos quase 900 aviários da GTFoods, próprios e de produtores, a tecnologia já foi instalada em 469 e, em 18 meses, 100% serão monitorados. Os aviários do grupo representam quase 5% das 19 mil instalações desse tipo no Paraná, estado-sede da GTFoods. Eles estão localizados em 70 cidades do Paraná, que é o principal produtor dessa proteína, representando 34% da produção nacional.

“A automatização dos nossos aviários fez com que atingíssemos uma rentabilidade de até 37%. O investimento em inovação e no Agronegócio 4.0 é um dos pilares que adotamos para o nosso crescimento. Ele nos dá uma precisão muito maior da produção, diminui perdas e, acima de tudo, reflete na qualidade de vida do frango em toda a cadeia”, afirma Rafael Tortola, CEO da GTFoods.

Além da captação de dados, o sistema monitora os frangos em vídeo, analisando simultaneamente, via Inteligência Artificial (IA), o comportamento do animal: “A movimentação do frango diz muito sobre o lote. A distância e pelo celular, o técnico pode averiguar o bem-estar de toda a granja, antecipando problemas comportamentais e de saúde, reduzindo o uso de medicamentos”, explica Nascimento, CEO da Agrisolus, startup focada em soluções para o agronegócio e responsável pela tecnologia.

O sistema também faz a gestão informatizada dos silos. Sensores geram estatísticas diárias sobre consumo de grãos, auxiliando na logística, melhor conversão alimentar, diminuindo os desperdícios e aumentando a economia no uso da ração.

Óleos essenciais

Com as restrições do uso de antibióticos como promotores de crescimento dos frangos, empresários e pesquisadores buscam alternativas. Pesquisa realizada pelo Programa de Mestrado em Ciências Ambientais e Produção Animal, da Universidade Brasil, de Fernandópolis (SP), em parceria com a MCassab Nutrição e Saúde Animal, mostra os benefícios dos óleos essenciais no desenvolvimento de frangos de corte.

“Os óleos essenciais são extraídos de várias plantas, com atividades antibacterianas, antivirais e antifúngicas, bem como efeitos imunomoduladores, hipolipidêmicos e estimulantes digestivos. Eles podem ser utilizados para aliviar o estresse térmico na produção avícola”, esclarece o médico veterinário Cleber Mansano.

O estudo utilizou 480 pintos de um dia de idade, criados até 42 dias. As características de desempenho produtivo avaliadas foram ganho diário de peso, consumo diário de ração e conversão alimentar.

“Foi encontrada diferença significativa em relação ao ganho em peso, para o período de 21 dias, assim como para o período de 42 dias de estudo, respectivamente, sendo as duas dietas com aditivo teste e o controle positivo apresentando os melhores valores em relação a dieta controle negativo, com ganho em peso superior a 100 g ao final do período experimental. O estudo comprova que os óleos essenciais podem contribuir para o processo de retirada de antimicrobianos melhoradores de desempenho mantendo o mesmo resultado em ganho de peso”, conta o especialista.

“Nossa busca constante é contribuir para melhorar a eficiência da ave e gerar resultados de qualidade, reduzindo os custos de produção das granjas”, diz Mariana Rosetti, médica-veterinária e consultora técnica da MCassab.

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