UE aprova acordo comercial com o Mercosul

Tratado histórico deve reduzir tarifas e ampliar comércio agroindustrial

Os países da União Europeia aprovaram provisoriamente o acordo comercial com o Mercosul, informou o Chipre, país que exerce a presidência rotativa do bloco. A maioria dos 27 Estados-membros votou a favor, enquanto França, Polônia, Irlanda, Áustria e Hungria se posicionaram contra, e a Bélgica se absteve.

O presidente Luiz Inácio Lula da Silva chamou a aprovação de um “dia histórico para o multilateralismo” e destacou que “a decisão chancelada pelo lado europeu une dois blocos que, juntos, somam 718 milhões de pessoas e um PIB de US$ 22,4 trilhões”.

Ursula von der Leyen, presidente da Comissão Europeia, afirmou que “todos ganham” com o acordo, ressaltando que ele “criará mais oportunidades de negócios e impulsionará o investimento europeu em setores estratégicos”.

Impactos no agronegócio brasileiro

O acordo prevê a eliminação de tarifas sobre 77% dos produtos agropecuários exportados pelo Mercosul à UE, incluindo carnes, frutas, grãos e café. Algumas commodities, como a carne bovina, terão cotas tarifárias, limitadas a 99 mil toneladas por ano.

Segundo a Confederação Nacional da Indústria (CNI), a União Europeia é o segundo maior mercado do Brasil, absorvendo 14,3% das exportações do país. O tratado deve facilitar o comércio e gerar efeitos positivos tanto econômicos quanto sociais.

Reações internacionais e perspectivas

O governo alemão classificou o acordo como “um marco na política comercial europeia”, enquanto o primeiro-ministro da Espanha, Pedro Sánchez, ressaltou a importância do vínculo com a América Latina. Já a ministra da Agricultura da França, Annie Genevard, alertou que “a batalha ainda não terminou” e pretende lutar por uma rejeição no Parlamento Europeu.

Analistas apontam que, mesmo com a aprovação na UE, a ratificação pelos parlamentos nacionais e pelo Parlamento Europeu ainda é necessária, podendo gerar ajustes e restrições adicionais ao pacto.

Próximos passos

Com a chancela provisória, Von der Leyen poderá assinar formalmente o acordo com os membros do Mercosul — Argentina, Brasil, Paraguai e Uruguai — prevista para 17 de janeiro, em solo paraguaio. Do lado do Mercosul, será necessária a aprovação dos parlamentos nacionais, enquanto o Congresso brasileiro deve validar a ratificação final.

O acordo histórico abre caminho para a criação de uma das maiores áreas de livre-comércio do mundo, com potencial para impulsionar investimentos, fortalecer cadeias produtivas e baratear produtos importados da Europa, como azeites, queijos, vinhos e frutas de clima temperado.

Mais de duas décadas de negociações

A trajetória do acordo entre o Mercosul e a União Europeia é marcada por um longo processo iniciado ao final dos anos 1990 e consolidado somente em 2026, após mais de 25 anos de negociações. A ideia de um pacto entre os dois blocos teve seus primeiros passos após a criação do Mercosul, com diálogos formais começando no final da década de 1990 e sendo reforçados em 1995 com um acordo‑quadro de cooperação.

As tratativas comerciais foram oficialmente lançadas em 1999, mas enfrentaram impasses sobre acesso a mercados agrícolas e industriais, levando a fases de paralisação e retomada ao longo dos anos 2000. Em 2016 o diálogo foi reativado com mais intensidade, refletindo um cenário global de maior abertura comercial, e em 2019 foi anunciada a conclusão técnica do acordo.

Divergências sobre compromissos ambientais e resistência política em alguns países europeus estenderam o processo até a aprovação provisória em 2026, abrindo caminho para a assinatura formal do tratado que promete eliminar gradualmente tarifas e ampliar o comércio entre os blocos.

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