Exportações de carne para países árabes batem recorde histórico

O Brasil atingiu um marco histórico em 2025, com recorde consecutivo nas exportações de carne bovina para os países árabes. Dados da Inteligência de Mercado da Câmara de Comércio Árabe-Brasileira (CCAB), que acompanha o comércio com a região de 22 nações, indicam que as vendas ao bloco somaram US$ 1,79 bilhão, com um avanço de 2% em relação ao ano anterior, consolidando a segunda alta anual consecutiva.

O crescimento reflete a consolidação do país como fornecedor estratégico para mercados de alta exigência e a expansão de acordos comerciais e logísticos que garantem confiabilidade e qualidade do produto.

Segundo a ABIEC (Associação Brasileira das Indústrias Exportadoras de Carnes), os embarques refletem o esforço conjunto da indústria para atender padrões internacionais, com destaque para rastreabilidade, certificações halal e compliance sanitário. “O mercado árabe exige rigor técnico e consistência. A resposta brasileira tem sido positiva, reforçando a imagem do país como fornecedor confiável e estratégico”, afirma a entidade.

Os números de 2025 mostram que, entre os países árabes, alguns se destacaram como principais destinos das exportações brasileiras de carne bovina, contribuindo significativamente para o recorde histórico de receitas. Segundo dados da CCAB e a ABIEC, os principais compradores foram:

  • Egito: liderança nas importações com aproximadamente US$ 375,35 milhões em receita, um crescimento de 24,53% em relação a 2024, reforçando sua posição como um dos mercados mais relevantes para a proteína brasileira no Norte da África.
  • Arábia Saudita: o segundo maior mercado entre os países árabes, com cerca de US$ 333,10 milhões, um salto de 29,90%, destacando a forte demanda pelo produto brasileiro naquela economia do Golfo.
  • Argélia: em expansão, a Argélia registrou cerca de US$ 286,58 milhões, com um crescimento de 40,56%, refletindo a intensificação das compras desde 2024.

Esses resultados indicam uma diversificação crescente dentro do bloco árabe, com mercados tradicionalmente fortes, como Egito e Arábia Saudita, sendo complementados por países em expansão como a Argélia, ampliando o alcance da carne brasileira na região.

Diversificação de mercados

Segundo entidades do setor, a ampliação da presença em mercados como os países árabes ajuda a reduzir a dependência de destinos específicos e fortalece a resiliência da cadeia brasileira de carne bovina frente a choques externos. A ABIEC ressaltou que “a consolidação das exportações para os países árabes representa não apenas um aumento de receita, mas também um reforço estratégico da diversificação de mercados, permitindo ao Brasil reduzir vulnerabilidades frente a instabilidades econômicas ou tarifárias em outros destinos”.

Já a CCAB destacou que “o fortalecimento das relações comerciais com o mundo árabe não se limita ao comércio de carne bovina; envolve cooperação institucional, alinhamento regulatório e presença diplomática contínua, garantindo segurança jurídica e sustentabilidade para os negócios de longo prazo”.

A entidade também salienta que o crescimento das exportações é acompanhado por iniciativas para aprimorar logística e infraestrutura portuária, garantindo a competitividade do produto brasileiro frente a outros fornecedores globais.

Crescimento sustentável

O Brasil mantém aproximadamente 200 frigoríficos habilitados para exportação, garantindo capacidade de atender demandas crescentes sem comprometer padrões de qualidade. Além do impacto direto em receita, a expansão das vendas para o Oriente Médio reforça empregos, incentiva investimentos em tecnologia e modernização de processos e fortalece a cadeia de insumos, desde a fazenda até o embarque internacional.

A relação com os países árabes vai além do comércio pontual. Trata-se de um eixo estratégico de longo prazo, sustentado por acordos comerciais, cooperação institucional e presença diplomática ativa, fatores que contribuem para previsibilidade e segurança para investidores e exportadores.

Com a demanda global por proteína animal em expansão e o Brasil ocupando uma posição de liderança, a consolidação no mercado árabe representa não apenas crescimento econômico, mas também a construção de uma rede de parcerias internacionais capaz de sustentar o setor nos próximos anos.

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